PASTORAL VOCACIONAL SACRAMENTINA
Este blog se destina aos jovens que procuram conhecer uma forma de seguir a Jesus Cristo na vida religiosa consagrada.
19/01/2012
16/01/2012
A missão
Nossa prece confiante ao Pai em favor de nossos irmãos missionários. Eles não estão sozinhos. Nem são heróis. Muitos, como eles, estão em regiões difíceis, carentes. E se oferecem pela justiça, pela fraternidade, pela paz. Onde estivermos, por onde passarmos, sejamos solidários, sejamos missionários. O Reino precisa de gente que se doa, que tenha a coragem de se oferecer para construir um mundo mais de Deus. Isto é ser Eucaristia.
E você? Como está vivendo sua vocação? Tem coragem de dar um passo, de deixar pessoas e coisas por causa do Reino? A missão está aí: onde há gente, a missão se faz urgente. Há realidades mais necessitadas, mais carentes, mais sofridas. Qual a resposta que você está dando?
Pe. Aureliano de Moura Lima , sdn
26/04/2010
Jesus é o Bom Pastor

A descrição que nos oferece o Evangelho de João sobre Jesus como o Bom Pastor pretende afirmar que a promessa de Deus, anunciada pelo profeta Ezequiel se cumpre em Jesus.
Em Ez 34,1-10, o profeta anuncia a palavra de Deus contra os pastores mercenários. Na comparação do profeta, pastores são também as autoridades políticas, o rebanho é o povo, que pertence exclusivamente a Deus. A função do pastor é cuidar do rebanho em todos os sentidos, principalmente defendê-lo diante dos lobos. O que acontece, porém? Muitas autoridades políticas, em vez de cuidarem do povo, preocupam-se unicamente com seus próprios interesses; em vez de servirem ao povo, elas o usam em proveito próprio; em vez de defenderem o rebanho, elas o entregam aos inimigos. Na visão do profeta, a ruína da nação é culpa das autoridades que a governam.
Será que não podemos atualizar com a recente tragédia do Rio de Janeiro e de Niterói?
Jesus declara: “Eu sou o bom pastor”, isto é, aquele que liberta o povo para uma vida em abundância.
A expressão “eu sou” remonta ao texto do livro do Êxodo, no qual Deus se deu a conhecer a Moisés na época da libertação da escravidão no Egito.
A relação de Jesus com as ovelhas é uma relação de reciprocidade: as ovelhas escutam a voz do pastor. “Eu mesmo irei buscar as minhas ovelhas e as reunirei”. É Ele quem dá a sua vida pelas ovelhas, uma por uma, Ele as chama pelo nome. A comunhão se concretiza pelo seguimento. Somos o seu rebanho. A nossa resposta é que faz a diferença para o pastor.
Àqueles que seguem o pastor, lhes será dada a vida eterna. Ele não é como os pastores mercenários, é o pastor que conhece suas ovelhas e que dá a vida.
Jesus é a porta para a vida. Ele chama. Ele espera, mas cada um de nós é que deve caminhar e transpor essa porta.
Jesus é o pastor, as ovelhas são os discípulos e o povo, que o ouvem e o seguem. Os homens reconhecem a Jesus como o enviado de Deus porque Ele salva e conduz à vida. Ele veio para dar vida aos homens. Ele dá a vida eterna que já se concretiza na fé o único salvador e mediador para a vida.
E sua missão é universal: “Tenho outras ovelhas que não são deste redil, também a estas devo conduzir e elas escutarão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.”
Este projeto de libertação continua hoje no mundo, através de pessoas engajadas que estendem ao infinito as fronteiras da fé e adesão a esse pastor. Quem se compromete sofre tribulações, como Ele sofreu, mas a certeza de que ninguém poderá tirar nada de sua mão fortalece, dando esperança e coragem.
No mundo caótico em que vivemos, cheio de muitos pastores mercenários, que só querem levar vantagem, cheio de lobos ávidos de poder, força e “status”, cabe ao cristão, seguidor de Cristo, ser a verdadeira ovelha do Bom Pastor e participar com Ele da busca, da orientação, do cuidado para que se realize o que Ele preconizou: “haverá um só rebanho e um só pastor”.
Na família, no bairro, na comunidade, nos acontecimentos da nação e do mundo, podemos agir de acordo com os ditames do nosso Bom Pastor, trazendo para o nosso “redil” aqueles que, por qualquer motivo estejam afastados. Ele virá recolher o seu imenso rebanho e o levará para a plenitude da vida eterna. E que, neste domingo do Bom Pastor, vamos pedir santas vocações para a vida ministerial, religiosa e consagrada e, mais do que isso, rezar pelo Papa Bento XVI, a quem reafirmamos ser o “Pedro de hoje” no mundo em que vivemos, amém!
* Dom Eurico dos Santos Veloso
25/03/2010
A Ternura de Deus

Está perto a festa da vitória, do amor e da vida, o surgimento de “coisas novas” relacionadas com o tempo pascal. Será tempo de mais partilha, mais justiça e menos idolatria do dinheiro, do lucro, da cobiça, da ganância, da ambição, da destruição e da morte.
A Páscoa revela a ternura de Deus num mundo onde reina a justiça e os seus valores. Onde não podeis servir a dois senhores, ou a Deus, ou ao dinheiro, conforme está anunciado no lema da Campanha da Fraternidade deste ano.
A ternura de Deus é qualificada como perdão e misericórdia. Ele acolhe a mulher flagrada em delito de adultério. O seu princípio não é o julgamento condenatório e legalista. Nem sempre quem condena é perfeito. É também pecador.
Ser misericordioso é realizar algo novo e estranho aos olhos do novo mundo. É a prática dos legados da Páscoa, capaz de realizar a alegria do coração acolhedor, alegria pascal, daquele que realmente conhece e vive a Palavra de Jesus Cristo.
Toda essa realidade será vivenciada na Semana Santa, particularmente no Tríduo Pascal. A Quinta-Feira Santa, a Sexta-Feira Santa e o Sábado Santo são os dias privilegiados na vida dos cristãos. Tempo de silêncio e recolhimento.
É no Tríduo Pascal que acontece o ponto mais alto da obra salvadora de Jesus Cristo. Ele institui a Eucaristia, o Sacerdócio e inaugura o Mandamento novo do Amor, lavando os pés dos discípulos, morre na cruz e, ao terceiro dia, ressuscita.
No Sábado Santo Jesus está na sepultura. É como a semente que está para nascer. É a hora do silêncio, da espera do surgimento da vida, agora vida nova. Com isto, o passado fica apagado. É a prática do perdão, daquilo que aconteceu com a mulher adúltera.
Deus olha para nós com profunda compaixão. Ele desaprova as infidelidades, os orgulhos do coração e se compadece daqueles que aceitam a misericórdia. Uma experiência de amor pode mudar completamente a vida das pessoas. É a ternura de Deus com seu povo.
Dom Paulo Mendes Peixoto
27/02/2010
Como redescobrir a vocação
A aspiração por realizar no trabalho e na vida os próprios ideais e expectativas é contraposta pelo materialismo cru, pela sensação de que a única relação possível com a realidade é da velocidade supersônica com que se consomem relações, amizades, produtos, diversões.
Por outro lado, está cada vez mais distante a ideia de que, ao se decidir o futuro de cada um, opera um desígnio do Criador. Para explicar o sentido da vocação e da espera, Stefano Fontana, diretor do Observatório “Van Thuan” sobre a Doutrina Social da Igreja http://www.vanthuanobservatory.org/), publicou recentemente um ensaio intitulado “Palavra e comunidade política”.
No prefácio de seu livro, Fontana, que é também consultor do Conselho Pontifício Justiça e Paz, escreve que “a crise da vocação é muito preocupante”, porque inibe “a convivência: o acolhimento, a gratidão, a gratuidade”.
Falando sobre seu ensaio, Fontana explicou que “o objetivo deste livro é assinalar o caminho para uma inversão de tendências, porque o homem surdo para sua vocação não sabe mais para onde ir”.
A fim de compreender o sentido profundo da vocação de cada um e o porquê do mundo moderno parecer desejar afastar-se de Deus, ZENIT entrevistou Stefano Fontana.

- O que é a vocação?
Fontana: A vocação é um chamado, uma palavra que vem ao nosso encontro, pedindo por uma adesão. Ao comunicar-se, a vocação nos convida a construir nossa identidade. Na reposta ao sentido que a interpela nós nos construímos em nosso próprio sentido. Quando encontramos um sentido que não produzimos, estamos diante de um chamado, um apelo, uma vocação. A vocação é a manifestação do incondicionado.
- Em seu livro recentemente publicado, o senhor sustenta que a falta de vocação impede o desenvolvimento humano, limita a convivência social e política, penaliza toda a família e empenho solidário no trabalho e nas relações com os demais. Por quê?
Fontana: O fenômeno mais preocupante de nossos dias é o da crescente dificuldade de identificar nas coisas e em nossas vidas uma palavra dirigida a nós, um apelo.
O matrimônio e a família são vistos sempre como opções ou convenções, não como uma realidade contida numa proposta de sentido importante para nossa humanidade, uma beleza que nos atrai e apaixona. Em nossa própria natureza íntima é possível encontrar um discurso sobre como devemos ser, a indicação de um caminho a ser percorrido.
Ser homem e ser ainda um tal homem representam uma vocação diante do subjetivismo e de uma cultura que pretende englobar em si mesma a própria natureza? Muitos hoje não veem na identidade sexual uma vocação, mas uma escolha.
Toda nossa dimensão física recebe grande atenção na sociedade do bem-estar, mas como algo que deve ser moldado, planejado, desconstruído e reconstruído, exibido, mas não como uma vocação a ser valorizada. O pudor nasce da percepção de que o corpo é palavra, mas nossos corpos já não têm quase mais nada a dizer; a primeira e a última palavra a seu respeito presumimos encontrar nos cremes e nos comprimidos, nas academias e no bisturi, no silicone e nos chips.
Também o ambiente natural diante de nós – a natureza no sentido naturalista do termo – é visto prevalentemente como um conjunto de objetos funcionais. Já não é mais a “criação”, um discurso do Logos criador, palavra em atuação, uma mensagem a ser comunicada.
- Vivemos em uma sociedade onde a auto-exaltação do ego é cada vez mais exagerada. Parece que, para alcançar a felicidade, é necessário haver um poder total sobre a realidade e sobre as coisas, é necessário dispor das pessoas e de seus corpos, é necessário aderir a um pleno e total hedonismo. Seriam estes os motivos que levaram ao ofuscamento da vocação e ao desespero daqueles que não encontram mais um sentido para as próprias vidas?
Fontana: A crise na vocação é algo muito preocupante, também em termos sociais e políticos, uma vez que inibe três atitudes fundamentais para a convivência: o acolhimento, a gratidão e a gratuidade.
Em primeiro lugar, está o acolhimento. A crise demográfica que atinge hoje muitos países e os debilita moralmente e economicamente é devida a esta dificuldade cada vez mais disseminada em acolher. As leis sobre o “suicídio assistido” denunciam uma falta de acolhimento da própria vida.
O multiculturalismo e sua falência mostram que a tolerância indiferente não é verdadeiro acolhimento. Acolher o outro torna-se impossível se não formos capazes de acolher a nós mesmos e de viver, também nós, a experiência de sermos acolhidos.
Em segundo lugar está a gratidão. Se outras pessoas e experiências não nos tocam, jamais nos descobriremos em débito e não poderemos viver a gratidão. Nossa família, nossa cultura, nossa condição de homem ou mulher... tudo pode ser objeto de gratidão, se formos capazes de encontrar uma herança de palavras, um sentido desvelado que de algum modo nos orienta.
Há, por outro lado, a negação de tudo isso, a prontidão em nutrir vergonha e ódio por ter sofrido uma série de imposições e violências, quando não a prontidão em repudiar ou mesmo apostatar de si mesmo e do próprio passado. Mesmo nossa própria identidade pode não ser vivida com gratidão. O ocidente parece estar hoje particularmente acometido desta síndrome da vergonha de si mesmo e da ingratidão.
Se não nos sentimos gratos para com aqueles que nos transmitiram determinados valores, não nos sentiremos na obrigação de transmiti-los às próximas gerações. A falta de gratidão rompe com a continuidade entre as gerações e é responsável pela atual “emergência educacional”.
Em terceiro está a gratuidade. A vocação nos é dada com um dom. Perder o sentido da vocação significa perder o senso de doação. Se meu passado, minha natureza e os outros nada me dizem, isto implica que quem estabelece seu significado sou eu, ou nós, se considerarmos as estruturas sociais e culturais.
Gratuito, portanto, é simplesmente tudo aquilo que é recebido como graça. A vocação comporta tudo isso, uma vez que não é uma palavra pronunciada por nós, mas uma palavra pronunciada através de nós. Portanto, uma palavra doada.
- Qual é a proposta do livro? De que modo a fé cristã e a Doutrina Social da Igreja podem resolver estes problemas enfrentados hoje pela humanidade?
Fontana: A palavra “vocação” ocorre ao menos vinte vezes na Caritas in Veritate de Bento XVI – se não contarmos os sinônimos. Se as coisas, as pessoas e acontecimentos nada nos dizem; se pensamos ser fruto de determinismos, então de fato nenhum acontecimento novo pode ocorrer, e permanecemos vítimas de nós mesmos.
Sem vocação o homem não sabe para onde ir, pois ser impelido detrás ao invés de ser atraído pelo que está à frente não o satisfaz. A fé cristã tem essa proposta de ser uma “amiga do homem”, de corresponder aos seus anseios. O mesmo pode ser dito a respeito da Doutrina Social da Igreja, que corresponde aos anseios do mundo, assim como a fé corresponde aos anseios da razão e a caridade aos anseios da justiça. É por esse motivo que a fé cristã não é algo acrescentado ao homem, mas algo que remete à sua própria constituição. A fé cristã é uma vocação, presente desde o início na forma de um anseio.
17/02/2010
Melhor Pastoral Vocacional: exemplo dos sacerdotes
No texto, que foi divulgado hoje pela Santa Sé, o pontífice afirma que “cada presbítero, cada consagrado e cada consagrada transmitem a alegria de servir Cristo, e convidam todos os cristãos a responderem à vocação universal à santidade”.

Portanto, acrescenta, “para se promover as vocações específicas ao ministério sacerdotal e à vida consagrada, para se tornar mais forte e incisivo o anúncio vocacional, é indispensável o exemplo daqueles que já disseram o próprio «sim» a Deus e ao projeto de vida que Ele tem para cada um”.
Em especial, o Papa dedica a mensagem aos sacerdotes, dentro do Ano Sacerdotal convocado pelo 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, afirmando a importância do seu testemunho dentro da comunidade cristã.
Ainda que a vocação seja um dom de Deus, explica o Papa, “Deus serve-se do testemunho de sacerdotes fiéis à sua missão, para suscitar novas vocações sacerdotais e religiosas para o serviço do seu povo”.
Neste sentido, destaca três elementos da vida sacerdotal que fazem parte deste testemunho: a amizade com Cristo, o dom de si mesmo e a comunhão.
Quanto à amizade com Cristo, Bento XVI afirmou que é o “elemento fundamental e comprovado de toda a vocação ao sacerdócio e à vida consagrada”.
“Se o sacerdote é o ‘homem de Deus’, que pertence a Deus e ajuda a conhecê-lo e a amá-lo, não pode deixar de cultivar uma profunda intimidade com Ele e permanecer no seu amor, reservando tempo para a escuta da sua Palavra.”
O segundo aspecto é o “dom total de si mesmo a Deus”, do qual “brota a capacidade para se dar depois àqueles que a Providência lhe confia no ministério pastoral, com dedicação plena, contínua e fiel, e com a alegria de fazer-se companheiro de viagem de muitos irmãos”.
“A história de cada vocação cruza-se quase sempre com o testemunho de um sacerdote que vive jubilosamente a doação de si mesmo aos irmãos por amor do Reino dos Céus. É que a presença e a palavra de um padre são capazes de despertar interrogações e de conduzir mesmo a decisões definitivas”, acrescenta o Papa, citando a Pastores dabo vobis, de João Paulo II.
Em terceiro lugar, trata sobre a importância de que o sacerdote seja “um homem de comunhão, aberto a todos, capaz de fazer caminhar unido todo o rebanho que a bondade do Senhor lhe confiou, ajudando a superar divisões, sanar lacerações, aplanar contrastes e incompreensões, perdoar as ofensas”.
“Os jovens, se virem os sacerdotes isolados e tristes, com certeza não se sentirão encorajados a seguir o seu exemplo. Levados a considerar que tal possa ser o futuro de um padre, vêem aumentar a sua hesitação. Torna-se importante, pois, realizar a comunhão de vida, que lhes mostre a beleza de ser sacerdote”, acrescenta.
Isso, conclui o pontífice, “aplica-se também à vida consagrada. A própria existência dos religiosos e religiosas fala do amor de Cristo, quando O seguem com plena fidelidade ao Evangelho e assumem com alegria os seus critérios de discernimento e conduta”.
Assim, chegam a ser “sinais de contradição para o mundo, cuja lógica frequentemente é inspirada pelo materialismo, egoísmo e individualismo. A sua fidelidade e a força do seu testemunho, porque se deixam conquistar por Deus renunciando a si mesmos, continuam a suscitar no ânimo de muitos jovens o desejo de, por sua vez, seguirem Cristo para sempre, de modo generoso e total”.
Deus Humano – Humanidade Divina
Acreditamos que Deus é a totalidade do mundo, a origem de tudo, que existe no céu e na terra. Ele é o nosso ser primordial, o todo poderoso e misericordioso e, que em determinado período de nossa história existencial, mandou uma parte de si, de sua trindade, para sua revelação a toda humanidade. Através de Jesus Cristo, Deus se revelou a humanidade, ou seja, ele se tornou humano, presença corporal, para todos os seres humanos. Nesta revelação fazemos a experiência do amor, da entrega, da confiança, da coragem, do perdão, da compaixão, da caridade e da misericórdia sincera de nosso “Pai Criador”, na experiência de vida junto a seu filho Jesus, com o seu mistério de paixão, morte e ressurreição.
Com a experiência do divino revelado a humanidade, passamos a fazer parte no mistério do projeto de vida celestial. A partir do exemplo vital de Cristo, nos moldamos em seu seguimento para nos “embriagarmos” da vida eterna, de todo o amor e felicidade sublime aqui na terra. E neste processo de busca da plenitude existencial, caminhamos em direção a uma divindade, em prol do encontro perfeito e definitivo com o nosso criador.
Nesse processo de busca pela perfeição, nossa humanidade, começa a se divinizar. Podemos perceber isto claramente, em nossa formação humano-cristã e, com maior intensidade nas participações ativas nas celebrações eucarísticas. Pois através dela tomamos consciência do valor da Sagrada Eucaristia e do projeto de um bem viver, que Deus tem para nós. E com isso, fazemos também a experiência da reconciliação, com o nosso Criador.
No auge da celebração, diante da mesa eucarística, através da pessoa do sacerdote, nossa humanidade se liga completamente a divindade de Cristo, no momento exato, em que a gota de água se mistura com o vinho. A partir deste instante, a humanidade toda se torna divina, nos tornamos um com a trindade santa.
No momento da comunhão, comungamos não apenas o pão e o vinho, mas sim o corpo e o sangue de Cristo e, conseqüentemente partilhamos de toda a sua vida e suas responsabilidades. Assumimos agora, enquanto seres divinizados, toda a missão cristã, de dar continuidade a expansão de todo o amor celestial para com a humanidade, e ao mesmo tempo fazer com que todos os seres humanos, tenham a mesma experiência do divino em suas vidas.
Com nossa vida cristã de formação cotidiana, através da experiência pessoal que realizamos com Cristo ressuscitado, podemos observar que, fazemos o encontro com um Deus humanado, que ao mesmo tempo faz com que nossa humanidade também se torne divina, e sendo assim, abraçamos todo o mistério de busca pela vida plena em abundância, junto a Deus.
Somos seres humanos divinizados, através da participação da natureza de Deus. É de total responsabilidade nossa zelarmos pelo cultivo dessa experiência divina em nossa humanidade. Pois Deus sempre quer estar ao nosso lado, basta abrirmos as portas de nosso coração para que ele possa entrar, e fazer com que ali seja o seu lugar de morada eterna.
* Gedeir Vieira Gonçalves - Postulante Missionário Sacramentino de N. Senhora
06/02/2010
Vida consagrada: valorizar vocação de irmão leigo
ROMA, quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- A figura dos irmãos leigos “deve ser valorizada na Igreja”, declarou o cardeal Rodè, que destacou também “a absoluta necessidade da oração” e da “formação litúrgica”.O cardeal Rodè explicou que um dos documentos trata sobre os irmãos leigos e sua publicação está prevista para o próximo outono boreal; o outro fala da oração e da formação litúrgica dos religiosos e religiosas.
“Ultimamente, temos refletido sobre a figura do irmão leigo nas congregações religiosas de irmãos e nas congregações mistas de sacerdotes e irmãos”, indicou no Dia Mundial da Vida Consagrada, celebrado ontem.
“Constatamos que, nas últimas décadas, o número de irmãos leigos diminuiu muito”, disse.
“E isso afeta igualmente as congregações mistas de sacerdotes e de irmãos: o número de irmãos diminuiu muito mais que o de sacerdotes. Existe um problema e é preciso fazer alguma coisa.”
O chamado a ser irmão leigo
O cardeal Rodè destacou a ausência de documentos sobre esta vocação. “Pensamos que uma das razões desta diminuição de vocações de irmãos leigos é justamente certa falta de atenção, por parte da Igreja, a esta figura de cristão consagrado, de irmão leigo”, disse.
“Queremos fazer um documento dedicado especificamente a esta figura do irmão leigo, que é uma figura autônoma, uma figura que tem sentido em si mesma, que tem uma identidade própria”, afirmou.
O cardeal Rodè destacou a especificidade deste chamado de Deus: “Um irmão leigo não é – como se pensa frequentemente e como as pessoas acham – alguém que não pôde ou não quis, por algum motivo, ser sacerdote”.
“Trata-se de uma vocação que tem uma lógica em si mesma, que tem uma missão particular na Igreja – acrescentou – e a história demonstra isso.”
A importância da oração
Com relação ao outro documento, sobre a importância da oração, o cardeal indicou que “alguns dizem que os religiosos e religiosas de hoje rezam muito pouco” e destacou que “hoje, em um mundo tão agitado, a oração se torna, sem dúvida, mais difícil”.
“Devemos acentuar a absoluta necessidade da oração na vida espiritual de um consagrado e de uma consagrada”, acrescentou.
Colaborar com o dicastério encarregado da liturgia
O prelado explicou que o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cardeal Antonio Cañizares, sugeriu-lhe elaborar um documento “interdicasterial”.
Uma primeira parte estaria confiada ao dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica; e uma segunda, ao Dicastério para o Culto Divino, sobre a formação litúrgica de religiosos e religiosas.
O cardeal Rodè considerou isso “de uma grande importância, porque, por um lado, há certa ignorância, certa falta de conhecimento e de formação litúrgica dos jovens religiosos e religiosas”.
“Por outro lado – continuou –, também existem fantasias litúrgicas que nem sempre são de bom gosto e que não correspondem ao desejo e à vontade da Igreja e ao próprio espírito da liturgia.”
28/01/2010
Mensagem para o 47 Dia Mundial de Oração pelas Vocações
Tema: “O testemunho suscita vocações”Veneráveis Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, caros irmãos e irmãs!
O 47º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que se celebra no 4º Domingo da Páscoa – Domingo do “Bom Pastor” –, em 25 de abril de 2010, oferece-me a oportunidade de propor à vossa reflexão um tema que está em comunhão com o Ano Sacerdotal: O testemunho suscita vocações. A fecundidade da proposta vocacional, de fato, depende em primeiro lugar da ação gratuita de Deus, mas, de acordo com a experiência pastoral, é favorecida também pela qualidade e riqueza do testemunho pessoal e comunitário de todos quantos já responderam ao chamado do Senhor no ministério sacerdotal e na vida consagrada. Pois o seu testemunho pode suscitar em outros o desejo de corresponder, por sua vez, com generosidade, ao apelo de Cristo. O tema está, assim, muito ligado à vida e missão dos sacerdotes e dos consagrados. Portanto, desejo convidar todos aqueles que o Senhor chamou para trabalhar na sua vinha a renovarem sua fiel resposta, sobretudo neste Ano Sacerdotal, o qual foi proclamado por ocasião dos 1 50 anos de falecimento de São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, modelo sempre atual de presbítero e pároco.
Já no Antigo Testamento os profetas tinham consciência de que eram chamados a testemunhar aquilo que anunciavam, dispostos a enfrentar também as incompreensões, as rejeições e perseguições. A tarefa confiada a eles por Deus os envolvia completamente, como um “fogo ardente” no coração, que não se pode aguentar (cf. Jr 20,9), e, por isso, estavam prontos a entregar ao Senhor não somente a voz, mas cada aspecto de suas vidas. Na plenitude dos tempos, será Jesus, o enviado do Pai (cf. Jo 5,36), a testemunhar com sua missão o amor de Deus à humanidade, sem distinção, com especial atenção aos últimos, aos pecadores, aos marginalizados, aos pobres. Ele é o supremo Testemunho de Deus e de seu desejo de salvação. Na aurora dos novos tempos, João Batista, com uma vida inteiramente dedicada a preparar o caminho de Cristo, testemunha que no Filho de Maria de Nazaré cumprem-se as promessas de Deus. Quando vê Jesus vindo ao rio Jordão, onde estava batizando, indica-o aos seus discípulos co mo “o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). O seu testemunho é tão fecundo que dois de seus discípulos, ouvindo falar assim, “passaram a seguir Jesus” (Jo 1,37).
Também a vocação de Pedro, como escreve o evangelista João, passa pelo testemunho do irmão, André, o qual, após ter encontrado o Mestre e ter respondido ao seu convite de permanecer com Ele, sente a necessidade de logo lhe dizer aquilo que descobriu no seu “habitar” com o Senhor: “Encontramos o Cristo! – que quer dizer Messias. Então, conduziu-o até Jesus” (Jo 1,41-42). Assim aconteceu com Natanael – Bartolomeu –, graças ao testemunho de um outro discípulo, Filipe, que o comunica com alegria sua grande descoberta: “Encontramos Jesus, o filho de José, de Nazaré, aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, bem como os Profetas” (Jo 1,45). A iniciativa livre e gratuita de Deus encontra e interpela a responsabilidade humana de quantos acolhem o seu convite a se tornarem instrumentos, com o próprio testemunho, do chamado divino. Isto acontece ainda hoje na Igreja: Deus usa o testemunho dos sacerdotes, fiéis à sua missão, para suscitar novas vocações sacerdotais e religiosas a ser viço de Seu Povo. Por esta razão gostaria de destacar três aspectos da vida do presbítero, que parecem ser essenciais para um eficaz testemunho sacerdotal.
Elemento fundamental e reconhecível de toda vocação ao sacerdócio e à consagração é a amizade com Cristo. Jesus vivia em constante união com o Pai, e é isto que suscitava nos discípulos o desejo de viver a mesma experiência, aprendendo com Ele a comunhão e o diálogo incessante com Deus. Se o sacerdote é o “homem de Deus”, que pertence a Deus e ajuda a torná-lo conhecido e ser amado, não pode deixar de cultivar uma profunda intimidade com Ele, permanecer no seu amor, escutando sua Palavra. A oração é o primeiro testemunho que suscita vocações. Como o apóstolo André, que comunica ao irmão ter conhecido o Mestre, igualmente quem deseja ser discípulo e testemunha de Cristo deve tê-lo “visto” pessoalmente, deve tê-lo conhecido, deve ter aprendido a amá-lo e a estar com Ele.
Outro aspecto da consagração sacerdotal e da vida religiosa é o dom total de si a Deus. Escreve o apóstolo João: “Nisto sabemos o que é o amor: Jesus deu a vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos” (1Jo 3,16). Com estas palavras, ele convida os discípulos a entrar na mesma lógica de Jesus que, ao longo de sua existência, cumpriu a vontade do Pai até a doação total de si sobre a cruz. Manifesta-se aqui a misericórdia de Deus em toda sua plenitude; amor misericordioso que venceu as trevas do mal, do pecado e da morte. A imagem de Jesus, que na Última Ceia levanta-se da mesa, retira o manto, pega uma toalha, amarra-a na cintura e se inclina para lavar os pés dos Apóstolos, exprime o sentido do serviço e do dom manifestados em sua vida, obediente à vontade do Pai (cf. Jo 13,3-15). No seguimento de Jesus, todo chamado à vida de especial consagração deve esforçar-se para testemunhar o dom total de si a Deus. Em seguida, nasce a capacidade de doação aos que a Providência lhe confia no ministério pastoral, com dedicação plena, contínua e fiel, e com a alegria de se tornar companheiro de viagem de tantos irmãos, para que se abram ao encontro com Cristo e sua Palavra torne-se luz para o seu caminho. A história de toda vocação está interligada, quase sempre, com o testemunho de um sacerdote que vive com alegria o dom de si mesmo aos irmãos pelo Reino dos Céus. Isto porque a proximidade e a palavra de um padre são capazes de fazer despertar interrogações e de conduzir mesmo a decisões definitivas (cf. João Paulo II, Exortação Apostólica Pós-sinodal Pastores dabo vobis, 39).
Enfim, um terceiro aspecto que não pode faltar ao caracterizar o sacerdote e a pessoa consagrada é o viver a comunhão. Jesus indicou como sinal, distintivo de quem deseja ser seu discípulo, a profunda comunhão no amor: “Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). Em particular, o sacerdote deve ser um homem de comunhão, aberto a todos, capaz de fazer caminhar unido o rebanho inteiro que a bondade do Senhor lhe confiou, ajudando a superar as divisões, a enxugar lágrimas, a resolver divergências e incompreensões, a perdoar as ofensas. Em julho de 2005, num encontro com o Clero de Aosta, afirmei que se os jovens vêem os sacerdotes isolados e tristes, certamente não se sentem encorajados a seguir o exemplo. Continuarão duvidosos se são levados a considerar que este é o futuro de um padre. No entanto, é importante realizar a comunhão de vida, mostrando-lhes a beleza de ser sacerdote. Então, o jovem dirá: “este pode ser um futuro t ambém para mim, assim se pode viver” (Insegnamenti I, [2005], 354). O Concílio Vaticano II, referindo-se ao testemunho que suscita vocações, destaca o exemplo da caridade e da fraterna colaboração que devem oferecer os sacerdotes (cf. Decreto Optatam totius, 2).
Alegra-me recordar o que escreveu meu venerado Predecessor, João Paulo II: “A própria vida dos padres, a sua dedicação incondicional ao rebanho de Deus, o seu testemunho de amoroso serviço ao Senhor e à sua Igreja – testemunho assinalado pela opção da cruz acolhida na esperança e na alegria pascal –, a sua concórdia fraterna e o seu zelo pela evangelização do mundo são o primeiro e mais persuasivo fator de fecundidade vocacional” (Pastores dabo vobis, 41). Poderíamos afirmar que as vocações sacerdotais nascem do contato com os sacerdotes, quase como uma herança preciosa comunicada com a palavra, o exemplo e toda a existência.
Isto também se aplica à vida consagrada. O próprio existir dos religiosos e das religiosas fala do amor de Cristo, quando esses o seguem em plena fidelidade ao Evangelho e com alegria assumem os critérios de valor e comportamento. Tornam-se “sinais de contradição” para o mundo, cuja lógica, muitas vezes, é inspirada no materialismo, no egoísmo e no individualismo. Sua fidelidade e a força de seu testemunho, porque se deixam conquistar por Deus renunciando a si mesmos, continuam a suscitar em muitos jovens o desejo de seguir, por sua vez, Cristo para sempre, de modo generoso e completo. Imitar Cristo casto, pobre e obediente, e se identificar com Ele: eis o ideal da vida consagrada, testemunho do primado absoluto de Deus na vida e na história da humanidade.
Cada presbítero, cada consagrado e consagrada, fiéis à sua vocação, transmitem a alegria de servir a Cristo, e convidam todos os cristãos a responder ao universal chamado à santidade. Portanto, para promover as vocações específicas ao ministério sacerdotal e à vida consagrada, para tornar mais forte e eficaz o anúncio vocacional, é indispensável o exemplo daqueles que já disseram o próprio “sim” a Deus e ao projeto de vida que Ele tem para cada um. O testemunho pessoal, feito de escolhas concretas e de vida, encorajará os jovens a tomar decisões responsáveis, por sua vez, investindo o próprio futuro. Para ajudá-los é necessário a arte do encontro e do diálogo, capaz de iluminá-los e acompanhá-los, através sobretudo do exemplo de vida, vivida como vocação. Assim fez o Santo Cura D’Ars, o qual, sempre em contato com os seus paroquianos, “ensinava sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar” (Carta de Proclamação do Ano Sacerdotal, 16/06/2009 ).
Que este Dia Mundial possa ser, mais uma vez, uma preciosa ocasião a muitos jovens para refletir sobre a própria vocação, respondendo com simplicitade, confiança e plena disponibilidade. A Virgem Maria, Mãe da Igreja, guarde cada pequena semente de vocação no coração daqueles que o Senhor chama a segui-lo mais de perto; faça com que se torne uma árvore viçosa, carregada de frutos para o bem da Igreja e de toda a humanidade. Para isto eu rezo, enquanto concedo a todos a Bênção Apostólica.
Do Vaticano, 13 de novembro de 2009.
Bento XVI